Caderno de Receitas

da Cynthia Semíramis

Enlouquecendo por causa de médicos

A Nalu comentou a experiência péssima dela com a nutricionista. E eu me lembrei porque me dei alta de uma endocrinologista. Um dia eu conto a história completa, pois é bem longa. O que interessa agora é que ela tentou me convencer a fazer uma dieta pesada e exercícios físicos como solução de todos os meus problemas. Foram meses de manipulação psicológica, e ela ficava cada vez mais agressiva, me acusando de boicotar o tratamento, reclamando quando eu fugia rapidinho da dieta. Um horror, eu não tinha mais nem vida social.

Quando ela viu que não conseguia me intimidar, tentou me incentivar contando como era a alimentação dela: pãozinho francês sem miolo com um tiquinho de margarina (nojo!), café com leite desnatado e adoçante. Uma barrinha de cereal no meio da manhã. Salada verde com duas colheres de arroz e frango grelhado no almoço. No meio da tarde, pãozinho francês sem miolo com um pedacinho de ricota e presunto de peru. Nem lembro mais o que era o jantar, mas era algo beeem sem graça. Fiquei com a impressão de que ela vivia à base de ração e era incapaz de comer algo por prazer.

Saí de lá tão triste que não tive coragem de voltar. Fiquei arrasada ao perceber que a médica queria me empurrar pra uma vida sem gosto, angustiada com emagrecer e obcecada com calorias e adoçantes. Pra ela, não era mais uma questão de saúde, era de estética. E desconfio que ela só comia porque o corpo precisa de comida. Se pudesse ficar sem comer, ela ficaria… e era uma pessoa dessas que estava cuidando da minha saúde!

Hoje eu me pergunto porque agüentei uns 3 anos de tratamento com alguém tão neurótico sem perceber que me fazia mal. E a resposta é meio óbvia: somos tão pressionadas a emagrecer que acabamos acreditando em qualquer coisa, especialmente se indicada por médicos… só não paramos pra pensar o quanto os médicos estão, também, influenciados por essa pressão para emagrecer.

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Por que comemos tanto?

Com o sugestivo subtítulo de “Não é apenas a nossa fome que determina o que comemos”, Brian Wansink escreveu um livro muito interessante sobre técnicas de alimentação.

Só li o livro porque este post da Nalu me deixou curiosa. Não é de hoje que tenho dificuldades para emagrecer, já experimentei várias dietas até descobrir que grande parte do problema é hormonal/medicamentoso, e não tem relação direta com força de vontade. O que eu não imaginava é que somos influenciados a comer mais, e que somos “traídos” por mecanismos psicológicos de compensação.

O livro traz algumas pesquisas interessantíssimas sobre como nós somos condicionados a comer (algumas delas são hilárias, como a tigela inesgotável de sopa), e sintetiza tudo em dicas de alimentação consciente bem fáceis de serem colocadas em prática.

Algumas dicas do livro:

  • “A melhor dieta é aquela que não sabemos que estamos fazendo” (p.11)
  • Uma forma eficaz de emagrecimento a longo prazo é cortar até 20% da comida que seria ingerida. Nosso corpo não interpreta como ruim um corte de 100 a 200 calorias por dia, mas se ressente quando passamos de 2000 para 1200 calorias
  • Aprenda a parar de comer: identificar a saciedade, comer apenas o que colocou no prato, nunca se servir diretamente do pacote, não depender de pistas externas (o fim do pacote ou da bebida, por exemplo) para parar de comer
  • Observe os momentos em que se alimenta, evitando que o ato de comer seja inconsciente. A partir daí, modifique esses hábitos para se tornarem mais saudáveis. Por exemplo: se você exagera na comida para se compensar de um dia estressante, tente mudar o tipo de comida, ou procure fazer outras atividades relaxantes antes de comer. A parte final do livro traz os principais tipos de perigos à dieta (se empanturrar à mesa, se empanturrar em festas, ir a restaurantes com freqüência, comer na mesa do escritório ou no carro, beliscar entre refeições) e sugestões para modificar esses hábitos alimentares
  • Pratos grandes, colheres grandes e copos largos fazem com que as pessoas comam mais, pois parece que estão vazios. Um self-service aqui perto usa pratos enormes, eu custei a entender que podia deixar o prato quase vazio e, mesmo assim, comer muito bem
  • Quanto maior a variedade de comida, mais as pessoas comem. Isso vale para rodízio de carnes e massas, mas também vale para doces. Quanto mais coloridas forem as balas (ou m&m’s), mais você comerá
  • As pessoas consomem mais o que está à mão e visível. Deixe comidas tentadoras guardadas no fundo da despensa ou em potes opacos
  • A maior parte dos alimentos industrializados vem com indicações de porções que podem ser bem maiores que a sua necessidade, portanto divida a comida em plásticos ou potinhos menores, que passarão a ser a nova medida de uma porção
  • as pessoas tendem a compensar a comida saudável e sem gosto com extras calóricos (ex: sanduíche saudável com batatas fritas e maionese), e acabam por ingerir, sem perceber, mais calorias e gorduras do que gostariam
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Glutamato monossódico x pomarola

Não é de hoje que evito ao máximo o glutamato monossódico (o famoso ajinomoto). Suspeito de causar mil problemas (assim como o aspartame), basta ver referência a ele na lista dos ingredientes que a chance do produto ficar na prateleira aumenta pra 100%.

Só que nem tudo é tão transparente quanto parece. Procurando mais informações sobre glutamato, caí no site da knorr, e descobri que o molho pronto Pomarola contém glutamato monossódico. Fui conferir na latinha, e lá não fala nada sobre o glutamato. Enviei um e-mail pedindo esclarecimentos, e agora aguardo a resposta.

A parte chata é que as latinhas são a minha salvação quando estou cansada demais até pra ver a água pro macarrão ferver. Se contiverem mesmo glutamato monossódico, adeus. O jeito é me acostumar, e fazer o molho de tomate superprático da Fer até enjoar…

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